“A apicultura, para nós da roça, foi um divisor de águas”, é o que diz o apicultor Luís Henrique da Costa, de Itainópolis, no Território Vale do Rio Guaribas. Criado em uma família de apicultores, ele afirma que a atividade foi responsável por mudar a condição financeira da família e proporcionar uma melhor condição de vida.
“Meu pai me fala que a apicultura abriu caminhos e mudou nossa realidade. Hoje conseguimos viver bem melhor, alcançamos um nível de condição que não esperávamos, não apenas financeiramente, mas também no sentido de ter maior independência, de poder exportar para outros países, como EUA, Itália, Alemanha e entre outros”, destacou Luís Henrique.

Presente em todos os territórios de desenvolvimento do Piauí, a Secretaria da Agricultura Familiar (SAF) desenvolve programas de fomento à cadeia produtiva como o Piauí Sustentável Inclusivo (PSI) e Pilares de Crescimento e Inclusão Social, que atende 12 mil famílias de apicultores no estado.
Só no ano de 2025, o Piauí produziu cerca de 9 mil toneladas de mel com exportação para os Estados Unidos, Itália, França, Alemanha, Reino Unido e Japão, arrecadando cerca de R$ 120 milhões. Muitos desses produtores foram beneficiados com projetos realizados pela SAF em parceria com Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) e outros parceiros do Governo do Piauí.

Segundo o diretor de Projetos para os Territórios do Semiárido da SAF, Francisco das Chagas Ribeiro, o “Chicão”, o Piauí é o maior exportador de mel orgânico do Brasil, chegando à marca, em média, de 10 mil toneladas de produção por ano, número alcançado por meio de investimentos, projetos e mecanização da produção.
“A SAF tem um papel importante no fomento à apicultura no estado, com a Codevasf e outros parceiros do Governo do Piauí que contribuíram para que a gente tivesse esse patamar atual. Maior exportador de mel, maior produtor de mel orgânico do Brasil e segundo maior produtor de mel de todas as modalidades no Brasil. Quase 12 mil famílias envolvidas nessa atividade, nos aproximando da marca de 10 mil toneladas de produção por ano. Esses números foram alcançados com bastante trabalho e investimentos nos projetos produtivos para construção de casa de mel, equipamentos como centrífugos, decantadores, mesas desoperculadoras, distribuição de caixas, de novas colmeias, capacitações feitas pela SAF e Codevasf”, disse o gestor.
Inovação tecnológica
Entre outros investimentos realizados pela Secretaria da Agricultura Familiar, está a construção de 40 casas de mel e distribuição de 15 mil caixas, por meio do PSI e Pilares. Outro investimento importante da SAF foi realizado junto à Cooperativa de Desenvolvimento Rural do Vale do Rio Piracuruca (Codevarp), no município de Piracuruca, por meio do Programa de Geração de Emprego e Renda no Meio Rural (Progere) para a atividade da extração da apitoxina, substância presente no veneno da abelha. A inovação foi apresentada este mês no Congresso Brasileiro de Apicultura (Conbrapi), em Florianópolis (SC).
“A Codevarp apresentou recentemente no Conbrapi, a experiência do laboratório de extração de apitoxina, que é o veneno da abelha, uma atividade inovadora no país. A apitoxia, juntamente com a geleia real e a própolis, são os produtos que acabaram agregando mais valor. De todos os produtos da abelha, o que tem menor valor é o mel, mesmo sendo o mais comum e mais produzido”, disse Chicão.

De acordo com Francisco das Chagas, 1 quilo de mel é comercializado no valor de R$ 14, enquanto 1 grama de apitoxina é vendido por R$ 250. Cada abelha consegue produzir em torno de 0,3 miligramas dessa substância.
“É uma discrepância de valores, claro que a abelha produz muito mais mel do que veneno. Cada abelha pode produzir 0,3 miligramas de apitoxina e uma caixa com 80 mil abelhas produz 40 quilos de mel por ano. Guardado essas proporções, a apitoxina, própolis e geleia real são produtos mais valorizados do que o mel, que é mais conhecido”, afirmou o o diretor da SAF.

Do Vale do Guaribas para o mundo
Para chegar ao mercado internacional, o mel da agricultura familiar passa por algumas etapas até sair do território piauiense para ser exportado. Luís Henrique da Costa, que citamos no início da reportagem, explica que o processo inicia na casa de extração, onde é produzido de forma padronizada, com retirada dos quadros – parte onde fica o mel. Em seguida, o mel é levado para a Cooperativa Mista de Pequenos Agricultores de Itainópolis (Compai) e transportado para a Cooperativa Central de Cooperativas Apícolas do Semiárido Brasileiro (Casa Ápis) para ser exportado.

“Nosso processo de produção já é um pouco mecanizado, porque temos uma casa de extração onde produzimos de forma padronizada, tiramos os quadros, que é a parte onde fica o mel, colocamos na centrífuga, depois colocamos nos tonéis e enviamos para as cooperativas. A gente entrega ao Compai, cooperativa que meu pai é associado e eles mandam para a Casa Ápis, que faz a exportação. A maior parte do nosso mel é exportado para o EUA e outra parte roda nacionalmente, tem várias redes de supermercado que compra do nosso mel”, disse o apicultor.

No Vale do Guaribas, Luís Henrique destaca que a apicultura mudou a realidade não apenas da família, como também de toda a região de Itainópolis e Isaías Coelho, que hoje concentram o mel como principal fonte.
“Saber que nosso mel mudou, não só a nossa vida, mas também de todos no entorno, então é muito gratificante. Vemos que a apicultura se tornou a principal fonte de renda da região, gerando todo um ecossistema que envolve desde a extração, comercialização e exportação, não se restringindo apenas para o próprio sustento”, finalizou o apicultor.
0 Comentários
Dê sua opinião: